Candidato faz discursos por videoconferência; outro manda cartas da prisão. Assim vive o separatismo catalão nesta campanha completamente atípica para as eleições regionais de 21 de dezembro.

Após tentativa frustrada de independência da Catalunha, Carles Puigdemont (presidente da Catalunha destituído) está exilado na Bélgica, impedido de voltar à Espanha; e Oriol Junqueras (ex-vice-presidente) está preso.

Eles são acusados de rebelião, sedição e malversação por impulsionar o processo de separação que culminou na independência da Catalunha e na posterior reação do governo espanhol.

Apesar dessa situação política, entretanto, eles estão fazendo de tudo para permanecerem na visibilidade para a corrida eleitoral.

Puigdemont, por exemplo, participa das disputas da campanha por videoconferência, com tuítes diários e algumas entrevistas à mídia catalã.

Tribunais e tuítes

Depois que Madri assumiu a tutela da autonomia catalã, Puigdemont decidiu ir, no fim de outubro, à Bélgica, país conhecido por receber diversas personalidades em exílio, a fim de demostrar que na Espanha estão submetidos a um “julgamento político”.

“A estratégia de pôr o foco na cena internacional finalmente foi útil”, escreveu exultante de Bruxelas, um dia após a Justiça espanhola retirar a ordem europeia de extradição contra ele e quatro ex-conselheiros de seu governo.

Reivindicando ser “presidente legítimo” dos catalães, o candidato do Juntos por Cataluña, uma coligação de membros do seu partido PDeCAT com separatistas, começou seu retorno ao cenário eleitoral, se reaproximando dos ex-parceiros do ERC (Esquerda Republicana da Catalunha), partido fundado em 1931.

“Nós votamos ERC, mas nosso presidente é o Puigdemont”, disse Eli Baró, de 40 anos, procedente de Pineda de Mar, na manifestação que reuniu 45.000 separatistas em Bruxelas em 7 de dezembro.

Cartas e ligações

A situação da ERC é pior, com Oriol Junqueras (vice-presidente destituído) preso desde 2 de novembro. “Nossa capacidade de influência dos cidadãos é muito reduzida. Não podemos ir a debates, nem dar entrevistas, nem ir a programas de televisão”, lamenta seu braço direito, Raül Murcia.

A principal participação do candidato é escrever artigos da cela, que envia por carta a seus assessores. Mas “é esmagadoramente complicado fazer campanha”, admite Murcia.

A coordenação é difícil, já que, da prisão de Estremera, perto de Madri, ele só pode fazer dez ligações por semana, de cinco minutos cada. “Destas, oito são para sua mulher e uma para mim”, explica.

Murcia diz que anota rapidamente o que ele diz e passa as instruções à número dois do partido, Marta Rovira, que assumiu o peso de fazer campanha na ausência do principal candidato da legenda.

O ERC começou a campanha liderando as pesquisas, que agora indicam um empate com o partido Ciudadanos, dirigido pela líder da oposição Inés Arrimadas, que pode se beneficiar de uma disputa entre os separatistas.

Briga por votos

Os dois partidos independentistas competem pelo mesmo grupo de votos, e o pacto de não agressão, firmado no início da campanha, já se evaporou, com ataques diretos entre os candidatos.

Carles Mundó, membro do governo embargado e preso até semana passada, recentemente descartou que Puigdemont poderia voltar à presidência, qualificando a candidatura, em uma reunião do ERC, como um simples “desejo” de voltar a “ocupar cargos”.

“Achar que pode haver outro presidente é aceitar que Rajoy pode mudar o presidente”, respondeu pouco depois que o ex-porta-voz do governo Jordi Turull.

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