São Paulo – Há algum tempo vem se consolidando a ideia de que, com o pretexto de fazer o bem, o estado pode invadir a vida privada dos cidadãos. Foi assim no caso dos emagrecedores, no qual a Anvisa, com a desculpa de que havia um abuso na prescrição de medicamentos do gênero, acabou proibindo anorexígenos à base de anfetamina e restringindo a opção de médicos e pacientes em relação ao tratamento da obesidade.

Em 2007, o falecido deputado Clodovil Hernandes cruzou a barreira das boas intenções com o projeto de lei 2.374/07. Ele previa que o exame de próstata fosse incluído no rol de exames obrigatórios feitos no momento da admissão nas empresas, para homens com mais de 40 anos. Dizia o parágrafo sexto do projeto: “para os trabalhadores do sexo masculino com idade a partir de quarenta anos, o exame médico de que trata o caput deve incluir o exame de próstata, e, quando positivo, seja disponibilizado ao paciente o tratamento psicológico necessário.”

Caso seja aprovado, o projeto vai alterar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT – Decreto-Lei 5.452/43), da mesma maneira que previa o projeto de Clodovil. O artigo 168 desta lei, de 1º de maio de 1943, promulgada no governo Getúlio Vargas, estabelecia uma série de exames obrigatórios no momento da admissão, uma forma de resguardar a saúde do trabalhador e proteger a empresa de eventuais fraudes.

Assim como Clodovil à época, o deputado Ribeiro alega elevados e nobres propósitos. O objetivo do projeto, segundo disse ele em entrevista à Agência Câmara, é prevenir o câncer de próstata. “Apesar de estarmos no século 21, ainda há preconceito contra o exame de próstata, que é essencial na prevenção desta doença perigosa e silenciosa em sua fase inicial”, afirmou.

É por meio desse exame que o médico pode avaliar o tamanho e a consistência da próstata. A única via de acesso, neste caso, é o reto.

Existe muito preconceito em relação ao exame, considerado uma das formas mais precisas de detectar o cancêr de forma precoce. Mas não é o tornando obrigatório que o preconceito acabará.

Não há dúvida de que se trata de uma grave doença. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), matou 12.274 homens em 2009. Estima-se que serão diagnosticados 60.180 novos casos em 2012. De fato, recomenda-se o exame após os 40 anos de idade em homens que tiveram casos de câncer de próstata na família e após os 45 anos para todos os homens. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar, caso a doença seja detectada, que ela se espalhe pelo corpo e se torne fatal.

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